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1.Você teve alguma influência musical de sua família durante a infância?

Sim. Meu avô tocava bandolim. Minha mãe sempre gostou de cantar e meu pai sempre estava envolvido com algum instrumento e até cantando num coral. Minha família sempre cantou.


2.Quando e como foi a sua iniciação musical?

Minha mãe, quando eu tinha 5 anos, me matriculou numa escola de ballet, pois eu, como toda menina, sempre quis ser bailarina...! Mas a professora , de 13 anos, era brava! Disse eu então à minha Mãe que não queria mais fazer ballet, ela respondeu: “Então você vai aprender piano”. Pronto! Meu destino estava traçado.


3.Você participou de festivais de música ou teve alguma iniciação na escola?

No primário, cantava no coral cujos ensaios eram antes do começo do período. Eu amava! Sempre havia performances nas festas do Colégio São Francisco de Assis e eu estava sempre envolvida. Das professoras particulares, voltando à Música, fui para o Instituto Normal de Música, do Oswaldo Accursi – um homem à frente de seu tempo. Lá, aos 12 anos, decidi que queria realmente fazer aquilo! Nunca mais parei e os Festivais, como o de Campos do Jordão, fizeram sim parte de minha formação, na década de 80.

4.Quais foram as suas influências/referências musicais?

Tanta gente...! De cantores da Música Popular Brasileira aos Maestros dos corais que cantei e os compositores que vêm fazendo parte do repertório da minha vida, tanta gente me influenciou...! Vou só citar nomes: José Antonio Bezzan, Carmen Teixeira, Chico Buarque de Holanda, Villa-Lobos, Ronaldo Miranda, Joaquim Paulo do Espírito Santo, Carlos Alberto Pinto Fonseca, José Eduardo Gramani, Roberto Manzo, Benito Juarez, Damiano Cozzela, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wilson Simonal, Elis Regina, Osvaldo Lacerda, Levino Ferreira de Alcântara, Cartola, Noel Rosa, a Jovem Guarda, a Tropicália...


5.Quais os instrumentos que você toca?

Piano, flauta doce, percussão e brinco no violão, mas meu instrumento predileto é voz.

6.Quais foram os seus grandes mestres musicais?

Todos os que me influenciaram, mas quem me descobriu regente e de quem sempre usei a técnica foi o Carlos Alberto Pinto Fonseca. A compositora, que veio depois, é resultado de tudo o que ouvi desde minha infância. Pra dizer que nunca tive aulas de composição, estudei um pouco com o Osvaldo Lacerda, cujas composições para coral certamente muito me ensinaram, pois, fã do Lacerda que sou, o considero primoroso na construção musical que une a precisão da música erudita com a ginga, os motivos, a graça de nossa música folclórica e popular.


7.Quando e porque começou a compor?

Quando ingressei na Escola Municipal de Iniciação Artística para reger Corais Infantis, me deparei com uma falta praticamente total de repertório para as crianças. Sem saída, e gostando muito de escrever como sempre gostei – adoro nossa Língua e a dos outros também -  e gostando de criança e de ser criança como gosto, tentei colocar no papel minhas idéias. Deu certo. Eles, em 1986, gostaram! Daí, saiu o CORALITO, em 1987, se não me engano, o primeiro material escrito, gravado e com playback da história de nossa Música Paulistana.


8.Porque a criança foi sempre sua referência de trabalho na composição?

Porque criança é a coisa mais legal! Criança é sincera e divertida, embarca nas viagens da gente, fala coisas interessantíssimas. Enquanto elas gostarem de cantar minhas composições, sei que estou bem de alma.


9.Relacione seus trabalhos:

Tá brincando...! Vamos lá:

1.CORALITO - 1987 – Ed Fermata – 4ª Edição.

2.DOS PÉS À CABEÇA – 1990 -  Ed Fermata – 3ª Edição

3.UM CONTO QUE VIROU CANTO – 1991 – Ed Fermata – Esgotado

4.DIA DE FESTA – 1997 – Ed do Autor - Esgotado

5.CHE RO MOMAITEÍ, BRASIL! – 1999 – Ed. Do Autor – Esgotado

6.DIVERTIMENTOS DE CORPO E VOZ – 2001 -  Via Cultura Ed Musicais – Esgotado

7.PIRRALHADA – 2002 – Via Cultura Ed. Musicais – 2ª Edição

8.QUE DELÍCIA...! – 2003 – Ed. Autor

9.PRA GANHAR BEIJO – 2004 – Ed. Vitale – 2ª Edição

10.AS AVENTURAS DA TURMA DE LUAN – 2008 – Ed. ANGLO

11.OS SEGREDOS DA CASA DE BRINQUEDO – 2009 – Ed. Autor

10.Como você vê a educação musical atual e como você analisa a música infantil em nosso país?

Vejo muitas linhas e idéias diferentes no universo da Musicalização. Creio que muitas delas funcionam muito bem, sejam as mais tradicionais, ou outras como as dos seguidores de Orff e Kodaly, sejam as de uma linha mais experimental, inspiradas em mestres como Koellreutter, por exemplo, muitas funcionam  muito bem. Agora, nas escolas regulares privadas, em algumas delas, percebo que existe um trabalho voltado para a educação musical – que deveria começar em casa, aliás - , mas nas públicas, estamos por conta do que será, já que a Música fará parte da grade curricular das escolas de nosso país,  mais uma vez. Hoje me parece que a vontade de uns poucos professores de Artes e os projetos sociais têm ajudado a criançada menos favorecida, a ter acesso ao universo musical. Com pouca ou muita qualidade, ela tem contato com sua expressão musical. Quanto à composição musical infantil, creio que todos concordamos que há pouca e quase nada de acesso aos materiais produzidos fora dos grandes centros. A Música Infantil não tem programa de rádio, na televisão é deseducadora. Ainda inexpressiva a produção e também a execução de Música Infantil em nosso país.

11.Qual a importância do desenvolvimento da música na educação formal, inclus ive amparadas pelo sistema de ensino oficial?

Toda! Através da Música as pessoas se conhecem mais e melhor, adquirem mais segurança e auto-estima, drenam suas emoções, aprendem o significado de “fazer junto”. Se bem orientado, o trabalho musical pode desenvolver desde a postura corporal,respiração, dicção, até a percepção de si e do mundo, a cultura geral, tão necessária ao bom músico como a qualquer ser humano que queria evoluir e fazer evoluir neste planeta.


12.Você acredita em alguma estratégia para a democratização da música?

Sim. Formar corais em todas as escolas do país.


13.Sua carreira foi apoiada por instituições acadêmicas?

Minha carreira foi construída sobre uma “multibase”. Cada lugar que trabalhei facilitou o caminho de minha carreira. Tornei-me conhecida por reger o Grupo (independente) Cantolivre e os Corais da Escola Municipal de Iniciação Artística que sempre apoiou minhas iniciativas. Por inventar e presidir a ARCI e por ela lutar por sete anos, fui alicerçada pela comunidade de regentes que eu mesma acabei estimulando. Agora, universidades, bolsas e essas coisas não, pois, por não ser acadêmica, nunca pensei em recorrer a isso. Prefiro pensar em mim como uma artista bem formada que dá aulas do que como uma professora que eventualmente vira artista.

14.Seus trabalhos estão divulgados em outros países? E no Brasil, em quais estados?

Parece que tem materiais meus em Portugal, na França, Espanha e até com a comunidade brasileira nos EUA. Mas nada traduzido e utilizado oficialmente. Alguém deve cantar por lá. No Brasil, recebo cadastros e mensagens de todo o país, de Norte a Sul.

15.O que não toca no seu CD?

Tudo o que não me emociona.

 
16.Qual foi a sua maior satisfação e alegria enquanto compositora?

Uma vez eu estava numa condução da Mooca para o Tatuapé. Na Água Rasa sobe uma criança, de seus 5 ou 6 anos, com uma mulher. Sentam-se alguns bancos atrás de mim e de repente eu ouço a criança dizer pra mãe algo como “Você sabia que o Cabral quando chegou aqui não sabia falar a língua dos índios?” Minha antena subiu, pois essa é justamente a abordagem da primeira canção em CHE RO MOMAITEÍ, BRASIL! E não é que a criança começa a cantar a tal canção? “Quando Cabral lá de Portugal, chegou aqui...” Eu, de costas pra cena, sorria de pleno contentamento. Não me identifiquei. Preferi saborear aquele momento maravilhoso, sorrindo por todas as células. Foi lindo.